construindo pontes entre necessidades e soluções
Esta edição n. 7 do caderno Conhecimento e Cidadania, que traz como tema principal a Incubação de cooperativas populares e de empreendimentos econômicos solidários, aborda temas e experiências inovadoras vinculadas ao conceito e às práticas da economia solidária. Nesse sentido, apontam para alternativas de geração de trabalho e renda, no âmbito da inovação social, e uma resposta em benefício da inclusão social, redução da pobreza, cidadania e justiça social.
Na perspectiva dos sujeitos produtores de conhecimento e agentes da transformação social, a economia solidária consiste em um “jeito diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver. Sem explorar os outros, sem querer levar vantagem, sem destruir o ambiente. Cooperando, fortalecendo o grupo, cada um pensando no bem de todos e no próprio bem. A economia solidária compreende uma diversidade de práticas econômicas e sociais organizadas sob a forma de cooperativas, associações, clubes de troca, empresas autogestionárias, redes de cooperação, entre outras, que realizam atividades de produção de bens, prestação de serviços, finanças solidárias, trocas, comércio justo e consumo solidário.
Por meio de artigos de fácil leitura, busca-se aqui valorizar as experiências inovadoras, de cooperativas e empreendimentos econômicos solidários, nos quais os sujeitos produzem e/ou utilizam saberes diferenciados na construção de uma sociedade efetivamente sustentável e justa.
A perspectiva é a de criar um modo de produção alternativo centrado não apenas no lucro, mas nas pessoas, na participação democrática e na distribuição justa dos resultados do trabalho, garantindo o acesso a melhores condições de vida, trabalho, lazer e educação a todos os atores envolvidos.
As experiências e análises registradas nesta edição do caderno Conhecimento e Cidadania procuram esclarecer o modo pelo qual tais políticas têm contribuído para a transformação das relações entre Estado, universidades, cooperativas populares ou empreendimentos populares e solidários, bem como para o estabelecimento de modelos de desenvolvimento capazes de integrar as dimensões social, econômica, cultural e sustentável. Observar a heterogeneidade de tais iniciativas, conforme o local onde estão instaladas ou sua ligação com universidades ou poder público, também será tarefa dessa publicação, no intuito de compreender a relação entre tais arranjos institucionais e as formas de atendimento adotadas por cada uma delas.
O Estado tem o papel primordial de criar e apoiar um ambiente socioeconômico que favoreça o processo contínuo de inovação social como elemento chave para o desenvolvimento sustentável. O desafio dos atores que produzem conhecimento será fazer avançar o reconhecimento do direito a outra economia que conduza a outro modelo de desenvolvimento. Esse direito será uma conquista dos sujeitos políticos que constroem a economia solidária no Brasil e que reivindicam o reconhecimento do Estado brasileiro na forma de instrumentos efetivos de políticas públicas e programas de economia solidária, com participação e controle social.
Boa leitura!
Irma R. Passoni, Gerente Executiva do ITS Brasil