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Ciência e Tecnologia para Promoção do Desenvolvimento

Artigo - Joanne Régis da Costa, Pesquisadora da Embrapa Roraima
Boa Vista, RR - sexta-feira, 01 de novembro de 2002 - 04:50:56
 
Acontecimentos mundiais têm mostrado que embora existam mudanças nas diferentes esferas da sociedade, ainda persiste a luta pelo poder, por interesses econômicos protecionistas, em detrimento da construção de um mundo pacífico e igualitário. As desigualdades sociais e econômicas tornaram-se maiores. Uma parte considerável da população mundial não dispõe de saneamento básico, não tem acesso à água potável, à assistência médica e à educação. No âmbito da Ciência e Tecnologia & Inovação (C, T & I) observa-se o processo de concentração do saber por alguns países, dividindo as nações entre as que sabem e as que não sabem. Grande parte das nações permanece em um marasmo científico quase que paralisante. Isto exige mudanças urgentes.
 
O papel da C, T & I é responder às necessidades de melhoria de vida de todos os seres humanos, não apenas de uma minoria. O conhecimento científico e tecnológico é uma das estratégias para se alcançar o desenvolvimento sustentável. Apresenta oportunidades diretas de desenvolvimento, ajuda a disseminar a educação e a reduzir as desigualdades sociais. Os países desenvolvidos realizam grandes investimentos na área mencionada, o que contribui para a melhoria da qualidade de vida de sua população. Porém, nos países pobres, os investimentos nesta área não representam uma prioridade do governo, não sendo diferente no Brasil.
 
Sabe-se que foram feitos cortes importantes e tem havido atraso na liberação de verbas para as instituições públicas, Pronex (Programa Nacional de Apoio aos Núcleos de Excelência), Institutos do Milênio etc. Segundo Ronaldo Sardenberg, Ministro da Ciência e Tecnologia, houve um crescimento três vezes maior na média internacional de publicações de artigos científicos brasileiros. Essa produção igualaria o Brasil a países como o Canadá, Itália e China. Porém, um estudo da Universidade Federal do Estado de São Paulo (UNIFESP) revelou que a participação do Brasil na produção científica mundial caiu de 1,08% em 2000 para 0,95% em 2001, contradizendo as informações do governo.
 
O governo brasileiro deveria proporcionar uma estrutura mais forte para a pesquisa e para a comunicação das descobertas científicas. Uma comunicação mais eficiente auxiliaria, inclusive, a identificação de prioridades de pesquisa e a conseqüente criação de tecnologias que solucionem os problemas existentes e levaria a um maior e melhor uso da informação na implementação de políticas e programas estratégicos que visam o desenvolvimento do país.
 
Alguns progressos, porém, têm sido inegáveis. Como exemplos, podem ser citadas a instituição do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, a realização da Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, a criação dos Fundos Setoriais e do Programa Genoma Brasileiro. A União Européia e os E.U.A têm demonstrado interesse em cooperar com o Brasil, fazendo parcerias em diferentes áreas. No âmbito estadual, destacam-se as Fundações de Amparo a Pesquisa (FAP) que realmente têm trazido bons resultados no fomento à pesquisa científica. Seria importante sua criação em todos os Estados da Federação.
 
Ressalta-se, ainda, que não se pode esperar que os investimentos em C, T & I devam ser provenientes somente do governo. As empresas privadas, a exemplo do que ocorre no primeiro mundo, também devem preocupar-se em investir em Ciência, Tecnologia & Inovação, pois precisam ser competitivas no mundo globalizado, apresentar produtos de boa qualidade, a preços razoáveis. Com o desenvolvimento tecnológico, as empresas fortalecem sua capacidade competitiva, sua condição de continuar no mercado e de expandir suas atividades. É impossível uma empresa continuar no mercado se não apresentar qualidade em seus produtos e serviços, já que, hoje, estão mais expostas à concorrência internacional.
 
A Lei de Inovação, se aprovada, representará um grande avanço para nosso país. Ela tem por objetivos dar suporte legal e estimular a capacidade de inovação de nossas empresas e a difusão do conhecimento tecnológico. Esta Lei permitirá maior mobilidade de pesquisadores em direção às empresas privadas e destas para as universidades; maior estímulo ao espírito empreendedor e à proteção da propriedade intelectual, além do estabelecimento de parcerias entre instituições públicas de pesquisa e empresas e a abertura de laboratórios públicos ao setor produtivo.
 
Precisamos efetivar parcerias entre instituições públicas e privadas, unir o desenvolvimento da C,T & I com o desenvolvimento social, desenvolver um sistema educativo eficiente, capaz de fornecer conhecimentos à população que levem ao pensamento crítico e à transformação. Há necessidade de uma maior interação entre a C,T & I e as instituições econômicas, políticas e sociais. Nos países desenvolvidos, o sistema educacional tem qualidade e verifica-se a existência de um forte vínculo entre a C,T & I e o sistema produtivo, o governo e a sociedade em geral. Isso faz uma grande diferença e representa um grande desafio para nossos futuros governantes, para os empresários e para a população brasileira.
 
A desconcentração do conhecimento e da inovação é condição para assegurar o desenvolvimento harmônico no mundo. Os avanços em Ciência, Tecnologia & Inovação representam o caminho para o aumento da qualidade e expectativa de vida, sendo parte essencial do desenvolvimento sustentável.
 
*Pesquisadora da Embrapa Roraima
sac@cpafrr.embrapa.br
Fonte: News Time




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