construindo pontes entre necessidades e soluções
Traçar um perfil das tecnologias sociais nordestinas, revelar o que o nordeste tem produzido como força motora das ações sociais inclusivas e produtoras de resultados que modifiquem uma realidade com sérios problemas. Estas foram algumas das questões discutidas durante as exposições no primeiro dia (9/08) do Encontro de Tecnologias Sociais.
O encontro foi um dos primeiros resultados de um mapeamento, realizado pela secretaria do ITS – Nordeste, com sede na Amavida, das formas de trabalho social que utilizam o saber científico e o saber ‘popular’ ou empírico para transformação de uma realidade social adversa.
Pela manhã participaram 94 pessoas de todos os estados nordestinos, representando mais de 55 instituições entre organizações da sociedade civil, parlamentares, secretários de estado, pesquisadores científicos que tiveram acesso a um esclarecimento sobre conceitos, temáticas e experiência envolvidos a necessidade da construção de políticas públicas para as tecnologias sociais.
“Modificar comportamentos com base na alteração da dinâmica do convívio”. A partir dessa proposta, o professor Othon Bastos afirmou que uma das forças de mudança e apoio ao desenvolvimento de conhecimento inclusivo se encontra na união de vários saberes, com a atuação de vários atores, relação que no Brasil é historicamente tardia e que acarretou em um atraso que precisa ser superado.
Sob a essência dessa reflexão se deu o início de um trabalho de contato e troca de experiências entre representantes de toda a sociedade. Interação necessária primordialmente para a construção de políticas públicas e que se refletiu na mesa de abertura do encontro com a presença de Clay Lago, primeira Dama do Estado do Maranhão, Othon Bastos, Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Irma Passoni, Gerente Executiva do Instituto de Tecnologia Sociais, João Otávio Malheiros, gerente executivo da AMAVIDA, do Antônio Oliveira, secretário do SBPC no Maranhão e vice-reitor eleito da Universidade Federal do Maranhão, e de Joe Viana Vale, Secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social, representando MCT.
Ao iniciar uma reflexão sobre o perfil histórico de como se deu a ciência e tecnologia, com passando pelos principais conceitos e exemplos de tecnologias que pode ser desde uma simples colher a uma estação espacial, Irma Passoni, gerente executiva do Instituto de Tecnologias Sociais, iniciou a primeira exposição do Encontro Nordestino de Tecnologias Sociais. Outro foco da apresentação da palestrante foi o conceito que se possui sobre a tecnologia social, que por surgir a partir da visualização de experiências produtivas de inclusão social é bastante amplo.
Um pequeno resumo sobre este conceito, ainda que arriscado, pode ser entendido como um conjunto de técnicas e metodologias transformadoras, desenvolvidas e/ou aplicadas na interação com a população e apropriadas por ela, que representam soluções para inclusão social e melhoria das condições de vida, como nos diz o site do ITS (http://www.itsbrasil.org.br).
Passoni ainda comentou sobre a criação do site ITS/Nordeste, ao qual foi proposto como primeira tarefa o mapeamento das entidades que trabalhavam com tecnologia social nos estados do Nordeste. “Através das visitações aos locais onde se produziam formas de tecnologias sociais da região, empreendidas pela secretaria da AMAVIDA, foi possível a organização desse encontro. O importante do trabalho realizado foi o seu cumprimento presencial, no qual se conheceu conversou com as diversas realidades nas quais os projetos mapeados estavam inseridos. É necessário o contato frente a frente entre mapeador e os envolvidos pelo projeto porque precisamos de uma relação pessoal. Precisa-se da convivência”, comentou a gerente do ITS.
Gerson Guimarães iniciou sua exposição ao comentar que o trabalho feito por ele dentro do Fórum de Tecnologias Sociais compreende a memória. Onde se busca um trabalho ligado a criação de sistemas dentro dos processos históricos, ocorridos como frutos do Instituto de Tecnologia Social. “A memória, ou seja, descobrir e demarcar qual o trabalho desempenhado pelo ITS é a uma forma que se buscou para ordenar de certa forma o conhecimento que o terceiro setor produz. Isto porque se chegou a conclusão de que as informações produzidas pelo terceiro setor, pelas ONG’s e outras instituições da sociedade civil são desordenadas, misturadas e muitas vezes falhas” afirma Gerson.
Segundo o palestra as ONGs precisam ter métodos, ter ação e história, “para chegar-se a um conceito de tecnologia social, houve um grande percurso percorrido, onde se viu a necessidade de construir um trabalho em conjunto, de se construir uma história de trabalho e de elaboração de conhecimento dialógico, que envolve todas os atores”, concluindo sua fala.
O último palestrante do turno da manhã foi Joe Viana Vallem, Secretário da Ciência e Tecnologia para Inclusão Social, que demonstrando vontade de trabalho, ao representar o Ministério da Ciência e Tecnologia, tratou a respeito do trabalho da secretaria, que ainda possui um pequeno orçamento para aplicar, principalmente porque ainda é um corpo estranho, recente e não tem muita visibilidade. “Mas com a ajuda de todos, mostrando que há força dentro do seguimento de inclusão social, podemos trabalhar cada vez mais e ampliar a nossa visibilidade, colocando o desempenho do trabalho já desenvolvido pelo terceiro setor e tornando isso uma forma de chamar a atenção para o aumento de ações e de verbas nessa área”, incentiva e defende as ações envolvendo inclusão social, princípio chave de uma tecnologia para o desenvolvimento humano completo.
Ao tratar sobre a importância das tecnologias sociais e sua representatividade, Joe Valle, afirmar que “as tecnologias sociais são focos da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social. Precisamos mostrar aos trabalhadores que estão na ponta atuante do trabalho social como acessar as verbas públicas e temos a necessidade de trabalhar isso e estreitar ao encontro entre governo, sociedade civil e produção do bem social”, finaliza Joe Viana Valle.
Fonte: www.amavida.org.br
Por: André Sales
Foto: Thaíse Barbosa